falamos aqui sobre as Shooting Brake, (clique neste link) que são carros esportivos transformados em wagons (com caimento da traseira quase como um coupê). São raras, uma atração à parte quando se vê uma em qualquer lugar do mundo. Mas e as peruas brasileiras mais tradicionais, porém com versão apimentada? São mais comuns, porém com charme e esportividade unidas à facilidade de manutenção e peças. Ou quase…

No Brasil temos diversas wagons esportivas desde os anos 70, com a Chevrolet começando a lista: Caravan SS 6 cilindros. Com suas curvas e potência vindas do Opala, teve uma das maiores caçambas até hoje em nosso país. As faixas pretas no capô e laterais já indicavam o modelo, que podia ter acessórios como as rodas exclusivas e faroletes para completar o visual. Fabricada em várias cores e gerações de transformações da linha Opala, a Caravan teve outros modelos como a Diplomata SL/E 4.1, sem cromados e com sinaleira escurecida, esportividade contemporânea dos anos 90. Com certeza um mito sobre rodas! Os anos 90 tiveram a Omega Suprema, com o motor de 6 cilindros agora com injeção eletrônica, e até um motor 3.0 australiano, mas sem versão esportiva, muito menos com o selo SS…

GM Opala Caravan SS:  a primeira nacional com sangue esportivo derivado do coupé 6 cilindros. Crédito da foto: Quatro Rodas

GM Opala Caravan Diplomata 4.1/S: sem cromados nem fortes cores, ao estilo anos 90. Crédito da imagem: @tuliocfotografias

GM Omega Suprema 4.1: 6 cilindros, uma evolução com a injeção eletrônica. Crédito da foto: Reginaldo de Campinas

Nos anos 80 temos a VW Quantum Sport, com a classe e mecânica confiável do Santana 2000. Foi uma edição limitada de poucas unidades, apenas nas cores branca ou vermelha, vinha com bancos Recaro e detalhes exclusivos como a sinaleira fumê. O bom motor AP, painel completo, volante “4 bolas”, rodas Snow Flakes pintadas de branco vindas do Passat (aliás, na europa ela era uma perua Passat, que também foi base para a Audi). Confiança alemã para diversão da família.

VW Santana Quantum 2000 Sport: primeira geração da perua com detalhes e interior esportivo. Crédito da foto: Quatro Rodas

Também pela Volkswagen, mas nos anos 90, veio a wagom compacta Parati GLS, que era praticamente o Gol GTS em versão wagon. Os mesmos bancos Recaro utilizados também na Quantum, mas com motor AP 1800 desta vez, porém com uma carroceria mais leve e menor do que a derivada do Santana. Mas com o mesmo painel de instrumentos e volante. A Parati também teve outras versões, como a Surf (geração I mais esportiva que as III e IV, mais aventureiras), GLSi (geração II mantendo a tradição da antiga GLS) e a mais esportiva de todas: GTI 2.0 16v (geração II e III derivada do GOL GTI 16v, incluindo motor alemão utilizado no Golf). Uma história de sucesso que deixa muitos fãs enlouquecidos nos encontros de carros pelo Brasil todo. Uma pena hoje a VW ter apenas a SpaceFox, pouca coisa maior que um hatch e sem o gene de esportividade das antepassadas.

VW Parati GLS 1.8: praticamente o Gol GTS em versão wagon. Crédito da foto: anúncio Mercado Livre

VW Parati GTI 16v: mosca branca de olho azul. Crédito da foto: VW GTI 16v.blogspot.com

A Fiat demorou a aparecer com uma perua esportiva, mas quando veio no início dos anos 2000 trouxe a mais rápida que já produzida no Brasil. Sim, a polêmica Marea Weekend Turbo! Com motor 5 cilindros Fivetech, ela tinha alta rotação de giros, sua aceleração e velocidade final dignas de um modelo italiano. O carro tão a frente do seu tempo que os mecânicos brasileiros não sabem até hoje como manusear o motor. Junte isso ao erro da fabricante em imprimir os manuais com as trocas de óleo no tempo errado e temos um dos carros mais injustiçados de todos os tempos. Bom demais para um país tupiniquim.

Fica a fama de bomba e piada entre os amigos. Mas sua beleza e esportividade são inquestionáveis.

Fiat Marea Weekend Turbo: a perua nacional mais rápida e tecnológica que já tivemos. Crédito da foto: Oktaneclub.com

Se a Fiat demorou, a Ford simplesmente não compareceu. Embora tenha fabricado a Belina (a única perua no Brasil que teve opção 4×4!), não teve versão GT como seus coupês Corcel I e II, da qual originou. Depois teve a Escort SW, que ganhava de lavada das concorrentes nacionais com seu motor 1.6 e 1.8 Zetec ( http://quatrorodas.abril.com.br/acervodigital/home.aspx , edição abril de 2000), mas sem ao menos uma versão RS do modelo europeu. A Ford Royale, derivada do Versailles – que por sua vez é praticamente o Santana da Ford – foi fabricada na versão duas portas em seu lançamento. Era a oportunidade certa para um modelo esportivo da Quantum da Ford, pois a VW sempre foi feita com quatro portas, mas não teve nada além da versão Ghia de motor AP 2.0.

Ford Royale: a Quantum 2 portas de motor AP 2.0i que tinha tudo para ser esportiva. Crédito da foto: Quatro Rodas

Para tentar salvar a fabricante de passar em branco por este assunto, a concessionária Souza Ramos fez nos anos 70 uma versão perua do Maverick! Não é original de fábrica, mas ao menos podemos ver uma perua esportiva da Ford, com motor V8, fabricada por brasileiros. Mais rara que buzina em avião.

Ford Maverick Wagom: adaptação realizada por uma concessionária. Crédito da foto: Quatro Rodas

E as francesas no Brasil deste século como Renault, Citroën e Peugeot tiveram chances com suas quase esportivas.  Renault Mégane Grand Tour Extreme nacional, com maquiagem esportivada, mas motor convencional das outras versões); A Citroën C5 Touring foi importada, uma pena não produzirem no Brasil, mas que apesar do seu visual aerodinâmico não teve versão digna de esportividade. A Peugeot produziu aqui as ótimas 206 e 207 Escapade, mas assim como uma Parati Track e Field ou Pálio Adventure, é uma versão “aventureira” com suspensão levemente elevada (nada que devolver a altura original já melhore). Portanto as francesas são baixas e charmosas no design, mas não em versões para track days.

Renault Mégane Grand Tour Extreme: maquiada, mas com mesmo motor de sempre. Crédito da foto: Oktaneclub.com

Peugeot 206 Escapade: quase esportiva, quase aventureira. Crédito da foto: CarPress.UOL

Não dá nem pra falar da japonesa produzida aqui Toyota Corolla Fielder, que apesar de ser a excelência sobre rodas, traz o mesmo caráter comportado de “carro de tiozão” do “vovôrolla”… A Nissan também embarcou na aventureira Livina X-Gear, a mesma no munto inteiro, mas nada de versão esportiva. Ela se parece com um monovolume, que não iremos detalhar, mas teriam aí as nacionais Honda Fit Twist, Fiat Idea Sporting, Chevrolet Meriva SS, Chevrolet Zafira… Fogem um pouco ao estilo wagon derivados de sedãs ou hatches, que lhe concedem maior dirigibilidade e estabilidade no caso de uma versão esportiva.

Corolla Fielder S: leve maquiagem esportiva em um carro familiar excelente. Crédito da foto: motorclub.com.br

Nissan Livina X-Gear: quase um monovolume aventureiro. Crédito da foto: SA Road Tests

Enquanto isso a Toyota mostrou uma edição especial da atual Corolla Fielder, chamada de Auris Touring Sports modelo especial Freestyle, em Frankfurt! E pensar que no Japão tem Subaru STI Wagom, até Nissan Stagea (Skyline GT-R Wagom), a Itália a Alfa Romeo Giulia. Até mesmo a Bentley fez talvez a wagom mais cara do mundo: Bentayga.

Nos resta sonhar com as importadas atuais como VW Golf e Jetta wagons, Mercedes-Benz Classe E All-Terrain e a Audi Avant disponível no Brasil, entre outras. Sem falar nas importadas mais antigas como Passat Variant, Renault Laguna Wagom, Volvo V90… lembram do ícone Audi Avant RS2 em parceria com a Porsche nos anos 90? A perua mais rápida do mundo! Sonhos de consumo para quem quer espaço e esportividade no mundo inteiro. Menos no Brasil…

Pra humilhar: alemã Audi com parceria da Porsche na RS2 Avant dos anos 90! Crédito da foto: HonestjohnClassics

Salvem as peruas!!! #SaveTheWagons

Texto: Marco Escada

Crédito da foto de capa: Outlaw250.com