Um dos primeiros carros a serem fabricados pela Ford no Brasil, a F100 surgiu em 1957 na fábrica do bairro Ipiranga em São Paulo, e era dotada de um motor V8 de 4,5 litros, com 167cv de potência (importado), com câmbio de três marchas.

Crédito da foto: Notícias Automotivas

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Derivada do caminhão F600, primeiro veículo a ser fabricado pela Ford no Brasil, a F100 era a principal concorrente da Chevrolet 3100, que tinha um motor de 6cc de 4,2 litros. O que diferenciava a Ford era o maior torque do motor V8; em contrapartida, o modelo da GM tinha capacidade superior de carga. Devido a este fato a Ford passou a produzir picapes sem caçamba, visto que os produtores brasileiros preferiam adaptar uma carroceria de madeira (com maior capacidade) em vez do modelo original.

Crédito da foto: NaBoléia

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De motor nacionalizado em 1959, a F100 trazia mudanças estéticas radicais e interior totalmente renovado. De aparência mais “quadrada” ela trazia frente com quatro faróis circulares e bancos com espuma de borracha no assento e encosto, além de maior para-brisa, aumentando a área envidraçada.

Na década de 60, a Ford F100 adotou o estilo Styleside (caçamba larga) em vez do Step-side (caçamba curta) para atender demanda do mercado nacional.

Crédito da foto: Ford-trucks.com

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Além disso, a F100 começou a ser fabricada em três versões.

Rancheiro, para o trabalho mais pesado:

Crédito da foto: BestCarsUOL

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a utilitária:

Crédito da foto: colecionador particular no Mercado Livre

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e a passeio, com pintura em duas cores, mais luxuosa e com a suspensão macia (destinada ao lazer).

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Crédito da foto: BestCarsUOL

Em 1967 a Ford assumia o controle da Willys-Overland do Brasil S.A., fabricante dos modelos Aero-Willys, Itamaraty, JeepRural e F-75.  Com ela absorvia a fábrica do Taboão e o Centro de Pesquisas e Desenvolvimento do bairro de Rudge Ramos, ambos em São Bernardo do Campo, SP. A fábrica nova da Ford em Taubaté, no interior paulista, seria inaugurada em 1974.

Crédito da foto: Flickr de Alan Jewel

Crédito da foto: Flickr de Alan Jewel

Em 1968 a F100 sofria um facelift na grade e faróis dianteiros. Porém, a modificação destaque era por conta da suspensão dianteira independente do tipo Twin-I-Beam, composta por semieixos oscilantes e molas helicoidais (para a época era um notável avanço, abandonando o arcaico eixo rígido com molas semielíticas).

Com a crise do petróleo em 1973; em 1976, através da sua recém-inaugurada fábrica de motores em Taubaté (SP), a Ford produziu o moderno motor de 2,3 litros e quatro cilindros em linha, com comando de válvulas no cabeçote e fluxo cruzado. Desenvolvido para atender a demanda do mercado externo, não demorou para que fosse aplicado no Maverick, nos utilitários da linha Jeep e também na F-100.

O maior desafio da engenharia da Ford foi adequar um utilitário de 1700 kg a um motor com quase a metade da cilindrada: 99 cv. Desta forma a F100 foi equipada com um câmbio de quatro marchas no assoalho, devido ao diferencial mais curto, o que dava um maior fôlego para a caminhonete.

Crédito da foto: Carros de Sucesso

Crédito da foto: Carros Sucesso

Em 1979, ainda com a crise do petróleo, chegava a tão esperada caminhonete a diesel, a F1000, equipada com motor MWM de 3,9 litros e 4cc, com 86cv. Além disso a F1000 dispunha de direção hidráulica com opcional.

Em 1982, a F100 teve seu motor adaptado para o combustível vegetal (álcool) para enfrentar a concorrência.

Crédito da foto: 4x4Brasil

Crédito da foto: 4x4Brasil

Com o preço da F1000 nas alturas, a F100 se manteve firme com opção mais acessível até 1985, quando a Chevrolet modificou sua frota com os modelos A20 e D20. A Ford adotou um motor argentino 3,6L de 6cc com 115cv na caminhonete e começou a chama-la de F1000A, dando assim fim de linha para a F100 com seu motor 2,3L de 4cc e 99CV.

Em 1986 a F1000 trazia novos faróis, os famosos quadrados que a acompanharam até a década de 90, e capacidade de carga foi aumentada devido a maior distância entre eixos e o forte motor de 6cc. No final dos anos 80, com a crise do álcool, a Ford adaptou o motor 3,6L para a gasolina (108cv)

Crédito da foto: CaminhãoAntigoBrasil

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Em 1990, além das opções como vidro e portas elétricas a F1000 trazia o primeiro motor turbodiesel de fábrica do Brasil, ou seja, o motor de 3,9L passava de 86cv para 119cv, o que lhe dava um desempenho semelhante aos motores a gasolina e álcool.

Em 1992 a Ford atualizou sua picape novamente, lhe dando um visual mais moderno, semelhante ao modelo F250 norte americano. O motor também era um pouco mais forte: 122cv.

Crédito da foto: Carros Sucesso

Crédito da foto: Carros Sucesso

No ano de 1994 a F1000 chegava com motor 6cc de 4,9L com 148cv, além de oferecer cabine estendida (supercab) e tração 4×4. A picape passava a oferecer três versões de carroceria, duas de tração e três opções de motores (gasolina, turbodiesel e diesel de aspiração natural, agora com 92cv).

O último ano da F-1000, foi em 1998, produzindo a série especial Lightning, mesmo nome da versão de alto desempenho preparada nos EUA pela divisão SVT. Com o motor de 4,9 litros a gasolina, além do motor diesel mais forte que já a equipou, o motor MWM com 133cv. Como acessórios ela era equipada com para-choque dianteiro, grade e retrovisores na cor da carroceria, acabamento das portas em tecido, vidros verdes e rodas de alumínio; além equipamentos de série adicionais, como encostos de cabeça, protetor no para-choque traseiro e forração no teto.

 

Texto: Paulo Vinícius

Foto de capa: Anúncios Ford

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