A matéria que descrevo hoje é não só uma realização pessoal e profissional, mas de um sonho deste fã de automobilismo. Mesmo desde pequeno brincando com carrinhos (ainda hoje coleciono algumas réplicas), lendo revistas automotivas ao invés de quadrinhos ou passatempos e acompanhando a F1 na TV nas manhãs de domingo. Vícios que permanecem até hoje! Nunca pude imaginar que eu poderia trabalhar e explorar essa paixão por 4 rodas, motores e velocidade. Muito menos que chegaria a viajar tão longe e conhecer de perto um pouco da história mundial deste esporte.

Visitar o Circuit de La Sarthe,  (um gigante de quase 14km de extensão), localizado na cidade de Le Mans, França, que desde 1923 abriga a corrida de resistência das “24 horas de Le Mans” e onde fica também o museu de mesmo nome, não se passava nem mesmo em sonho nesta mente criativa de fotógrafo, publicitário e artista. E olha que imaginação não me falta. E estar em um dos autódromos mais famosos do mundo, encontrando clássicos que escreveram esta história?! Jaguar, Ferrari, Porsche, Audi, Mazda, Peugeot, Bentley… são alguns dos protótipos em que pude encostar!

Entrada do Circuit de La Sarthe e do Museu das 24h de Le Mans, onde estive na França.

Desde adolescente Paris sempre foi minha meta de viagem na vida. Pelo contexto histórico artístico. E Deus não só me colocou nesta rota, como possibilitou que Le Mans estivesse no meio do meu caminho para uma exposição no interior da França. Além de expor minhas fotografias, ainda teria a oportunidade de conhecer o autódromo Sarthe, onde ocorre anualmente uma das corridas de carros de endurance (ou longa duração) mais emblemáticas de todas: as 24h de Le Mans!

Audi R8 LMP900: Campeão nos primeiros anos do século XXI, ao lado do Bentley Speed 8, campeão de 2003. E também Ferrari e Porsche das categorias menores de longa duração.

Por mais uma ironia do destino – ou obra divina – fui uma semana antes de acontecer a edição de 2017 da mítica prova. E neste ano (como já publicamos aqui) teve o recorde de 8 brasileiros disputando, e estavam todos lá na pista, testando os carros das equipes em que pilotavam. Porém não tive a honra de vê-los. Mas só de saber que estavam ali pilotos como Rubens Barrichello, Bruno Senna, Nelson Piquet Jr., Tony Kanaan, Daniel Serra… já era motivo de honra. Obviamente acompanhei os treinos e a corrida, ainda que por internet, mas com o espírito lá no autódromo que tinha acabado de conhecer pessoalmente. Nesta outra matéria você pode ver as colocações de largada e chegada de nossos pilotos que representaram o Brasil. Mas dá pra adiantar que teve brasileiro vencendo na sua categoria e os demais com excelentes posições! Pena que teve um com  equipe desclassificada…

Pinturas em aquarela, como as que faço sob encomenda! Entre em contato para saber mais! 😀

O museu sim, pude desfrutar plenamente, quase que sozinho, pois cheguei pouco antes de sua atividade diária e assim que as portas foram abertas pisei nas nuvens. O coração batia forte e o arrepio corria o corpo todo. De cara me deparei com Fórmulas 1 dos anos 60, como Brabham de Jackie Stewart e uma Maseratti preparada por John Cooper (sim, que também preparou o supreendente Mini e popularizou sua versão como Mini Cooper). Foi um susto, logo na entrada, ser surpreendido por F1 que, mais uma vez, nem em sonho pensei em tocar. Só depois fui percorrer o corredor onde colocaram alguns pertences e até mesmo estátua de grandes nomes que fabricaram ou pilotaram carros para esta específica corrida deste circuito: Irmãos Bentley, Ettore Bugatti, Ferry Porsche, Enzo Ferrari, Henry Ford II, Steve MacQueen, Jacky Ickx…

 

Máquinas e pilotos homenageados são um túnel do tempo, como a F1 Maseratti Cooper T81 1966.

F1 Brabham Repco BT 24 – 1967

 

O corredor de entrada, com pertences e réplicas dos 24 principais nomes que marcaram história em Le Mans, como Jacky Ickx que venceu 6 vezes!

 

O corredor com 24 pessoas que fizeram a história do circuito.

Avançando no pavilhão, viajei no tempo com veículos que exemplificaram o nascimento da locomoção à fumaça, combustível e até mesmo eletricidade (não é de hoje os carros elétricos, e sim do iníco dos anos 40!!!). Uma aula de história com modelos pesados, como Rolls Royce e Bugatti, além dos franceses Citroën, Peugeot e Renault. Alguns traziam motores gigantescos 7.300 cilindradas, de 8 ou 10 cilindros e desenvolviam cerca de 60 cavalos de potência. Para referência, os carros populares de hoje são de 1.000 cilindradas, 3 cilindros e rendem até mais de 100 cavalos. Fora a diferença do consumo de combustível…

Primeiros carros, inclusive movido à carvão!

Abaixo um representante da grandiosidade dos carros do início do século XX, onde até o nome é pomposo: Rolls Royce Silver Ghost Type J141 Coupé-chauffeur Décapotable Muhlbacher. Ele possui compartimentos em madeira e levava uma enorme mala com compartimento para o terno com cabide! Para carregar tanto peso ele possuia uma frente comprida abrigando o enorme motor.

Mala de viagem do Rolls Royce citado acima.

 

Exemplo de motor enorme 7.4 litros do Rolls Royce de 1919, com 45 cv…

 

Aos 600 cv do inovador motor híbrido Peugeot elétrico-diesel de 2009.

E tudo isso chega nos carros que usamos no dia a dia: com as devidas proporções, as tecnologias são empregadas nos carros de rua para melhorar nossa locomoção. Entendem a importância dos engenheiros mecânicos deste esporte em equipe?

Exemplo de rebuscamento e excesso de detalhes dos anos 60.

 

O futurismo como conceito.

 

Época da corrida espacial e a inspiração em foguetes.

 

Surgimento do carro elétrico! E você achava que era novidade…

Finalmente chego aos carros de corrida mais avançados do mundo em suas épocas. São quase 100 protótipos vencedores, em todos os 94 anos de corridas neste autódromo. 

Protótipo inspirado no 911, para celebrar os 50 anos da Porsche em 1998.

 

Exemplo de macacão utilizado pelos pilotos.

 

Aerodinâmica é característica nos protótipos, como o Audi R10 TDI – Campeão de 2006 a 2008

 

Audi R18 TDi é a despedida da Audi em Le Mans, e com vitórias de 2011 a 2013 (em 2010 foi do Audi R15 TDi).

Mas é tanta coisa que precisa seguir em um próximo capítulo. Fique ligado que vem aí a próxima parte!

Texto e fotos: Marco Escada