Antigo sim, mas velho não, o Mavecão, assim conhecido Maverick, foi um dos poucos “muscle cars” fabricados no Brasil. Só por isto já é uma ofensa ser comparado a um simples Opalinha…

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Eis a história…Em busca de dar uma reviravolta em um mercado muito competitivo e, que trazia o Doginho da Chrysler e a Brasília da Volkswagen (além do projeto do Passat em vias de lançamento), a Ford fez uma pesquisa de mercado para saber a preferência do brasileiro e sim…deu na cabeça: o Taunus; carro de estilo europeu, de proporções e consumo menores, mas de luxo semelhante aos modelos anteriores da marca.

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Ford Taunus: europeu que originou nosso brasileiro Maverick (parece que o nosso passou por uma musculação na migração!)

Por ser inviável fabricar um carro com aquele motor antes da inauguração da fábrica em 75 em São José dos Campos, a Ford decidiu largar o projeto do Taunus e optou por um carro que já era febre nos EUA: o sedã médio Maverick.

Carro de cabra macho, imponente como poucos, de estilo único e mecânica simples, o Maverick começou a ser fabricado no Brasil em 73. Com opções de Luxo e Super Luxo, o sedã da Ford era um trunfo para a montadora, pois compartilhava componentes com o irmão mais velho, o Aero-Willys.

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Em comum, o motor de 3.0 de 6cc com 112cv do irmão mais velho, ao qual não vou me ater muito, o Maverick iniciou sua jornada no mercado nacional; diga-se de passagem, que o motor de seis cilindros o deixava silencioso, mas era totalmente desproporcional ao peso do carro. Com a opção do V8 302 de 5 Litros com 197cv no modelo GT (conhecido como Mavecão), as vendas aumentaram e não teve para ninguém: Opalinha, Dodge Dart e Charger RT ficaram para trás…

Mais consolidada com seu modelo, a Ford parou de palhaçada e disponibilizou mais duas versões além do Super e GT: GT4 e LDO. Trocou os pré-históricos e enjambrados 6cc pelos enfim 4cc projetados para o carro. Além disso, mantiveram o importado V8 é claro! Estas máquinas são consideradas a segunda fase do Maverick, a fase boa de 77 a 79, que sofreu pouquíssimas alterações desde o início ao fim de produção.

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O modelo GT4 era o mesmo cupê da versão GT: tinha as listras, rodas e acessórios do modelo esportivo, mas era equipado com um motor de 4cc (famoso 2.3 OHC de 99cv); um modelo para aqueles que curtiam a esportividade, mas não tinham a grana ou preferiam um carro mais econômico.

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O LDO, substituto do Super Luxo 6cc, era oferecido com motorização de 4 ou 8cc opcionais, sendo que podia ser um sedã de duas ou quatro portas. Além disso, este modelo podia vir equipado com câmbio automático de 3 marchas. Este foi com certeza o modelo mais luxuoso do Maverick.

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Lendário nas extintas corridas da categoria D1 (onde o carro corria praticamente sem modificações) o Mavecão assim chamado o V8 302 Quadrijet (quatro carburadores) mandou no automobilismo nacional até o banirem de correr em 76.

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Hoje o imponente Maverick ou Mavecão, é visto como um ícone do automobilismo nacional. Robusto e imponente foi sim um representante digno dos “muscle cars” no Brasil, até a Ford parar sua produção para colocar o simples, fraco e feio Corcel II em seu lugar!

Contudo, mesmo com sua fama de gastão, os Mavericks estão cada vez mais raros de se encontrar e cada vez mais caros de se comprar, ou seja, quem tem sabe o valor da sua máquina e não quer vender; quem não tem um inteiro, parte para a reforma ou paga o preço! Vale a pena? Se eu tivesse a grana não pensava duas vezes…

 

Leia também a defesa do Opala para poder se decidir!

Escrito por Marco Escada

Foto de capa: Divulgação de rodas originais

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