Que o futuro é de carros totalmente elétricos todos já sabemos. Inclusive alguns países estão colocando como lei o fim da produção de motores à combustão a partir de 2030 e que a frota seja toda elétrica em 2040.

Mas o que podemos esperar com tendência dos carros a curto prazo? O downsize parecia inevitável, mas já não é mais unanimidade. Será que os híbridos e elétricos chegarão antes do esperado?

Downsize

Fora do Brasil essa é uma realidade na última década desde os lançamentos do Audi A1 1.4 e Fiat Cinquecento MultiAir 0.9. Só chegou aqui em terras nacionais anos mais tarde em modelos como Golf e Up 1.0 TSI e New Fiesta 1.0 EcoBoost, logo seguidos pelos Renault e Nissan 1.0, Peugeot 1.2 e Fiat FireFly – todos  tricilíndricos.

Renault Twingo GT. Crédito da imagem: AllTheCars

Os pequenos motores com turbo para atingir potência de motores de maior cilindrada com economia poderão estar com os dias contados. Isto porque estão a chegar à conclusão de que os ganhos na economia de combustível e de emissões destes pequenos motores, são mínimos e muitas vezes inexistentes. A programação eletrônica e o turbo para os 3 cilindros fazem o motor consumir e queimar rapidamente o combustível, o que não gera uma economia tão grande assim perto da perda de potência em relação aos motores mais “conservadores” de 4 cilindros sem turbo e de cilindrada maior.

Como exemplo temos os desenvolvimentos da Renault e VW que irão lançar motores com uma cilindrada mais perto dos 1.8 para substituir os 1.6 franceses e 1.4 diesel de três cilindros alemães. E a Mercedes que nem quis entrar na geração 3 cilindros, restringindo seu downsize no 4 cilindros do Classe A que chegou a ser o motor mais potente do mundo em sua categoria.

A Mazda afirma que o correto é o rightsizing (tamanho ideal), já que motores pequenos podem continuar em uso, mas em carros menores e modelos médios ou grandes devem utilizar propulsores de maior cilindrada, de acordo com seu peso. A Ford aposta neste sentido com o Fiesta ST 200: EcoBoost 1.5 tricilíndrico de 200cv!

Exemplo claro disso é que um 1.6 gira menos que um 1.0 para entregar a mesma força em um carro médio. Por isso existem propulsores maiores que em certas situações são mais econômicos que os menores.

O Toyota Yaris vendido na Europa que será fabricado em breve no Brasil (pra ficar entre Etios e Corolla – que terá uma versão híbrida) trocou o motor 1.3 do compacto por um 1.5 muito parecido com o do Etios fabricado no Brasil, porém um pouco mais forte com 111 cv e 13,9 mkgf a 4.400 rpm. Mais moderno ele possui sistemas como recirculação dos gases de escape (EGR) refrigerado e VVTiE em ciclo Atkinson, reduzindo o consumo em condições de pouca aceleração. A versão turbo fica apenas no Yaris WRC, versão esportiva com motor 1.5 de 210 cv!

Toyota Yaris WRC. Crédito da imagem: TopGear

O lado positivo é que as montadoras estão tentando de tudo pra diminuir a emissão de gases e consequente economia de combustível: Sistema Start&Stop (que desliga o motor quando o carro está parado, religando automaticamente ao tocar o acelerador); Comando Variável de Válvulas (acionando na medida certa de cada situação); Injeção Direta de Combustível (direto dentro da câmera do cilindro). Para tudo isso seria bom o incentivo do governo em diminuir as taxas para estes carros econômicos ou elétricos

 

Híbridos

O Brasil ainda está muito no início da sua geração de carros híbridos e pronto para lançar os elétricos, já que a Chevrolet anunciou o Bolt em solo nacional – ainda sem data prevista. Por enquanto temos o Ford Fusion Hybrid, Golf GTE, Lexus CT200h, Mitsubishi Outlander PHEV, e Toyota Prius (que vendeu 2.405 unidades em 2017) como opções híbridas em nosso mercado. Ainda temos as opções menos vendidas como Renault Twizy, BMW i3 e i8, Porsche Panamera (2.9 V6 biturbo de 330 cv com outro elétrico de 136 cv = 462 cv!), Tesla Model S (totalmente elétrico e igualmente potente)…

Além do GM Bolt, devem chegar em breve ao Brasil o Hyundai Ioniq, Nissan Leaf, e-Golf, Volvo XC60 Hybrid… Quem sabe a MINI importe para nós o Cooper S E Countryman ALL4.

Chevrolet Bolt. Crédito da imagem: Motor Show

Na Europa, os propulsores já estão se tornando turbo elétrico e o micro híbrido, que são são soluções para que as grandes cilindradas também fiquem dentro das regras de baixa poluição. Em paralelo os híbridos plug-in e elétricos continuam avançado – e muito! O Toyota Yaris, citado acima, tem hoje na europa 40% de sua comercialização na versão híbrida. Isso é um exemplo da frota de todas as montadoras nos mercados Europeu e Asiático que estão popularizando os híbridos a ponto de quase chegar a 50% o mercado atual. Os modelos à combustão interna já estão sendo considerados ultrapassados e não atraem mais a compra na hora de escolher um zero km.

Até mesmo conversões em carros antigos já estão virando moda, como faz a Zelectricmotors com modelos VW antigos: Fusca, Kombi, KarmannGhia sem o tradicional barulho do motor refrigerado a ar e sim com o silêncio de um totalmente elétrico. Uma customização que pode criar moda no antigomobilismo mundial – claro, não aos puristas que desejam o carro perfeitamente original. Mas é uma tendência de personalização muito inteligente e com olhar no futuro!

Fusca ZelectricBug. Crédito da imagem: Zelectricmotors

Uma coisa é certa: motores de grandes cilindradas, beberrões e potentes só mesmo aos entusiastas e apaixonados por carros antigos!

Texto e foto de capa: Marco Escada

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