No dia 11 de novembro de 2018 tivemos o Grande Prêmio de F1 realizado no Brasil, no Autódromo de Interlagos – SP.

O que parecia ser mais uma corrida do calendário de 2018, surgiu como uma surpresa para a maioria dos telespectadores e amantes da Fórmula 1. Com o campeonato já decidido, as equipes deixaram de lado as estratégias, que na maioria das vezes estraga as corridas, e abriram a competição livre entre pilotos da mesma escuderia.

Isto mostra que a F1 tem muita graça sim e, se não fosse por conta dos patrocinadores e estratégias castradoras, os GP’s seriam muito mais interessantes e talvez teria um público melhor.

Crédito da imagem: Grande Premio

O resultado foi uma corrida incrível: as Renault, Force Índia e McLaren se pegando e trocando posições entre os pilotos, e em particular ressalto o duelo entre o quase aposentado espanhol Fernando Alonso e o belga Stoffel Vandorne, que alternaram posições e ultrapassagens na parte de baixo da tabela de corrida. #ficadicaF1

Neste final de semana o que tivemos foi um resgate da F1 dos anos 70 e 80, onde os pilotos da mesma escuderia competiam e concorriam ao título, sem restrições e vantagens…

Quem não se lembra nos anos 70 quando o austríaco Niki Lauda passou por cima do italiano Clay Regazzoni na Ferrari, ou do francês François Cevert coçando os calcanhares de Jackie Stewart na Tyrrel com 6 segundo lugares até sua morte grotesca no treinos de Watkins Glen em 1973, ou do veterano sueco voador Ronnie Peterson lutando pelo campeonato de 1978 contra o norte-americano Mario Andretti até a sua trágica morte no  GP de Monza.

Crédito da imagem: F1_Historical

Nos anos 80 tivemos a guerra ferrenha entre o brasileiro Nelson Piquet e o Ingês Nigel Mansell pela briga ao título de 1986 (que acabou sendo do Prost). e a briga histórica entre o brasileiro Ayrton Senna e o francês Alain Prost pelos campeonatos de 1988 e 1989. Todos companheiros de equipes em pé de igualdade. #nostalgiaF1

Crédito da imagem: Formula 1

Voltando ao GP do Brasil: a poderosa Ferrari, que abriu mão do piloto Kimi Räikkönen para 2019 em Monza por conta de respeitar uma decisão do falecido ex-presidente Sérgio Marchionne de contratar o monegasco Charles Leclerc; acabou sendo obrigada a dar a ordem para Sebastian Vettel e deixar o Finlandês passar. Visivelmente pilotando o segundo carro da Ferrari, sem privilégios e fora dos planos da escuderia, Kimi deu um show de pilotagem e chegou em 3º lugar no GP do Brasil, mostrando que ainda tem muita lenha para queimar! Ah se arrependimento matasse… #Viradadejogo

Crédito da imagem: EVARISTO SA / AFP

Na Mercedes o inglês Lewis Hamilton, mesmo com problemas, deu uma aula de pilotagem para seu companheiro finlandês Valtteri Bottas; que foi surpreendido e ultrapassado por Verstapen, Räikkönen e Riccardo. Um final de semana péssimo para o piloto que tinha aspirações e a promessa da equipe de ter a 1ª posição devolvida depois de deixar o companheiro ultrapassar no GP da Rússia. Na minha opinião Bottas não está no mesmo nível dos “TOP 5” e não chega no fim de 2019 na Mercedes. #AdeusBottas

A RedBull que preteriu o belga-holandês Max Verstapen ao australiano Daniel Riccardo (de partida para a Renault) viu que seu talento (VER) precisa amadurecer muito, coisa que o australiano tem de sobra…

Não menos importante, deixei os comentários sobre Max Verstapen por último, visto que suas aventuras durante o GP do Brasil lhe renderam o protagonismo dentro e fora da pista!

Jovem, arrojado e muitas vezes brilhante, Max Verstapen, ou simplesmente VER, encanta a todos que amam a formula 1 e presenciaram as brigas citadas acima… Sua corrida foi simplesmente fantástica e ao mesmo tempo decepcionante: rápido nas ultrapassagens, o belga-holandês pulou de quinto lugar para primeiro em poucas voltas. O belga-holandês simplesmente passou direto pelos seus adversários sem tomar conhecimento. Parece que Interlagos traz o melhor deste piloto! Foi de encher os olhos…

Crédito da imagem: Formula1.com

Gênio nas ultrapassagens, mas imaturo para administrar a corrida. Com o primeiro lugar nas mãos o piloto da RedBull não soube aproveitar a vantagem. Com uma imaturidade incrível, muito definida pela a arrogância do jovem piloto, ele acabou envolvido em um acidente com o seu antigo algoz: o espanhol Esteban Ocon da Force Índia. Aquela ultrapassagem não valia nada e o espanhol, que era visivelmente superado, se indignou por seu antigo desafeto da F3 ultrapassá-lo (visto que o espanhol conquistou o campeonato em cima do VER) e se jogou em um “x suicida” quando o piloto da RedBull lhe colocava uma volta. Max, por sua vez não declinou e o que presenciamos foi um acidente entre dois “guris bobos” que correm com a mesma imprudência de como se ainda estivessem F3!

Crédito da imagem: IstoÉ/Esportes

Lamentável, assim podemos definir, foi a continuidade do ato. Vertappen, se dirigiu a Ocon no fim da corrida querendo empurrar/socar seu adversário. Não tão nostálgico com as lembranças que tenho das disputas nas pistas: me recordei dos anos 80 da F1, das farpas trocadas entre Piquet e Salazar, Senna e Irvine e outros episódios em que a juventude e imprudência estragaram as corridas de grandes pilotos! Sabemos que estas cenas fazem parte da história de F1, mas tenho certeza que o público prefere não saber! Trata-se de corrida, se quiséssemos luta assistiríamos o UFC… #posturapilotosF1

Com um segundo amargo lugar, o piloto da RedBull não escondeu sua frustração e se negou a comemorar o pódio. Outra atitude infantil de quem não sabe perder… A derrota e vitória passou por suas mãos Verstappen, onde está seu profissionalismo? Me recordei de Senna reclamando da Williams com aquele carro eletrônico e com cara de poucos amigos nos pódios quando ficava em segundo lugar… Piloto bom tem que ser equilibrado!

Quem lembra do Piquet contra Ayrton no GP da Hungria em 1986? Se Verstappen assistisse aquela ultrapassagem ele veria como se porta um grande piloto: o piloto da Williams ensinou Senna como se fazia uma ultrapassagem limpa! Piquet relata que ele estava disputando campeonato e Senna não tinha nada a perder, por isso procurou o melhor momento para fazer a manobra!

Crédito da imagem: TopGear

Farpas à parte, naquela corrida haviam dois grandes pilotos: Ayrton Senna e Nelson Piquet, um extremamente arrojado e outro técnico! Nem ouso a comparar…

Voltando a corrida passada, quando vejo Verstappen pilotando me relembro do Senna. Não que as homenagens de Hamilton a nosso ídolo brasileiro sejam inválidas, mas entendo que o piloto da RedBull traz muito mais do brasileiro que o piloto inglês! Arrojo, talento, coragem e determinação fazem deste jovem uma promessa e tanto.

Crédito da foto: Heitor Feitosa/VEJA.com

Talvez, com um trabalho de amadurecimento e uma equipe focada em desenvolver todo o seu potencial Max Vertappen possa ser o campeão 2019 de F1… Capacidade e talento para isto ele tem de sobra!

 

Texto: Paulo Elias

Foto de capa: Mark Thompson/Getty Images

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