A história do GOL surgiu a partir da necessidade de se criar um sucessor para o Fusca após a segunda metade dos anos 1970 para enfrentar outros carros com projetos modernos como: Fiat 147 e Chevrolet Chevette.

Como os veículos produzidos na Europa não atendiam as necessidades do mercado brasileiro e também não tinham a resistência necessária para as nossas estradas, o departamento de engenharia da Volkswagen (localizada na fábrica do bairro paulistano de Vila Carioca) passou a desenvolver um projeto baseado na plataforma do primeiro Polo; que fora, por sua vez, projetado na Alemanha há alguns anos antes por Phillip Schmidt (diretor de pesquisa e desenvolvimento da VW Brasil).

Crédito da imagem: GettyImages

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A estratégia de desenvolver modelos no Brasil, embora bem-sucedida no caso do Brasília, havia resultado em insucessos de vendas como: o SP-2 (eleito um dos esportivos mais belos na época pelos Europeus) e o TL (a Variant II, que nasceria em 1977, também foi outro fracasso). Este histórico fez com que a matriz alemã contestasse a capacidade da filial no Brasil.

No entanto venceu a determinação de Schmidt e o projeto BX começou a nascer, em maio de 1976. O primeiro protótipo ficou pronto em dezembro de 1977.

De início, a base do projeto BX seria o alemão Scirocco: cupê esportivo baseado no Golf, que chegou a ser importado pela VW Brasil na época para fins de avaliação. A exemplo do Passat, o projeto seria um fastback: dois volumes, linhas angulosas, traseira inclinada e motor dianteiro.

Crédito da imagem: ClassicGrid

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Porém a configuração mais simples do Polo alemão, que se situava na faixa de preço entre o Fusca e o Golf na Europa, foi escolhida para o projeto do primeiro Gol (nome associado a paixão do brasileiro pelo futebol). O carrinho era desenhado para se um modelo hatchback: com a terceira porta abrangendo o vidro foi a escolhida. Quem olha o Golf, Scirocco e Gol de primeira geração nota que as diferenças são mínimas!

 

Crédito da foto: CKD Motorsport

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Em 1980 chegava o primeiro Gol fabricado no Brasil nas versões básica e L. Com 42cv do motor boxer de 1.3L ele chegava com a intenção de ser barato e econômico. Com aceleração de 0 a 100 km/h em 22s e velocidade final de 130 Km/h ele só não decepcionava mais devido ao peso “leve” de 750 kg.

No seguinte, em 1981, devido ao desempenho fraco perante a concorrência (Chevette e Fiat 147), a VW lançou as versões S e LS com motor (ainda refrigeração a ar) de 1.6L de 56cv. Com carburação dupla, aceleração de 0 a 100 km/h de 15,4s e final de 143 km/h o “Golzinho batedeira” agradou!

Em 1982 o Gol recebeu a versão Gol Copa, que tinha itens exclusivos como: rodas de liga leve, pneus radiais, faróis auxiliares e uma exclusiva pintura azul, além do adesivo com a inscrição Copa no vidro traseiro.

Crédito da imagem: CarrosNaWeb

Crédito da imagem: CarrosNaWeb

Com a chegada do Ford Escort XR3, em 1984, a VW reagiu ao mercado e lançou a nossa “cereja do bolo”, o Gol GT 1.8. Equipado com o motor 1.8L de 99CV, o Gol GT trazia, além de seu novo motor “envenenado” com o comando de válvulas mais bravo do Golf GTI alemão, alguns acessórios exclusivos como: Escapamento duplo, faróis de neblina e de milha, rodas de alumínio, inscrição GT nas laterais e vidro traseiro e, interior diferenciado – com revestimento de melhor qualidade e painel de grafia vermelha. Os 99cv de potência levavam a uma aceleração de 0 a 100 km/h de 9,7s e uma velocidade final de 180 km/h…forte para a época!

Crédito da imagem: Carangoweb

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Este pequeno esportivo respondia pelo sucesso da linha Gol e da marca Volkswagen. O salto de qualidade (conforto, isolação acústica e desempenho) do Gol GT para o primeiro modelo fabricado há quatro anos atrás (Gol L 1980) era tanto que consolidou a marca alemã como líder de mercado. O modelo esportivo ainda revolucionou com o seu sistema PTC (dispositivo termo-resistivo), que servia para facilitar o aquecimento/partida do motor.

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Crédito da imagem: Carangoweb

Em 1987, a primeira geração do Gol foi reestilizada: capô mais baixo, faróis e para-choques envolventes e lanternas traseiras maiores deram uma cara nova para o campeão de vendas. A nomenclatura das demais versões: a S vira CL, e a LS vira GL também mudaram.

No caso do GT, ele recebeu aerofólio, saia lateral, novas inscrições, além de ter a opção de motor somente a álcool (mais potente) e o câmbio de cinco marchas (já disponível no modelo de 1986).

Deste ano em diante o Gol passou a ser chamado de GTS devido a esportividade mais destacada pelo aerofólio e adereços incluídos na reestilização. O motor AP 1.8 era denominado pelo fabricante com 99cv devido ao aumento das taxas de impostos para veículos com potência superior a 100cv . Estima-se que o esportivo tinha em torno de 105 a 110cv.

Crédito da imagem: Thiago Pires

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Crédito da imagem: Thiago Pires

No final de 1987, início de 1988 o painel do GTS também foi todo reestilizado, seguindo a tendência do novo Gol. Para quem teve a oportunidade de vivenciar aquela época, as mudanças foram nítidas: um painel todo reconstruído de forma envolvente, ou seja, menos quadrada e bem mais atraente que a anterior.

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Crédito da imagem: FlatOut

Crédito da imagem: Automotivado

Crédito da imagem: Automotivado

Porém, mesmo com toda grife de esportivo, o GTS não foi novidade por muito tempo, pois no final de 1988 surgiu o Gol GTI: equipado com motor 2.0 e injeção eletrônica da Bosch.

Se engana quem acha que depois do surgimento do irmão mais novo potente o irmão mais velho foi aposentado. Mesmo tendo desvantagem do motor menor 1.8 e freios menos eficientes (o GTI tinha disco ventilado) o GTS custava bem menos e seu motor não sofria com os problemas do sistema novo da injeção eletrônica. Os primeiros modelos do GTI cortavam o giro do motor em 6500rpm o que podia interferir nas ultrapassagens para os desavisados.

Crédito da imagem: QuatroRodas

Crédito da imagem: QuatroRodas

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Crédito da imagem: QuatroRodas

Em 1991 a VW fez um facelift em toda linha Gol e manteve o GTS 1.8 como opção esportiva mais barata. Com aceleração e desempenho semelhante ao do GTI, em 1994, quando surgiu o Gol “bolinha” e a injeção eletrônica tomou o mercado, o Gol GTS perdeu seu espaço e foi aposentado…

Crédito da imagem: AutoGallardo

Crédito da imagem: AutoGallardo

E a história continua nos dias de hoje: em breve curiosidades sobre o novo Gol GT Concept! Aguardem!!!

Saiba mais sobre diversas as versões de GOL desde o seu lançamento em nossa matéria exclusiva!

 

Texto: Paulo Vinícius

Imagem de capa: Publicidade VW de lançamento do Gol GT