As maiores novidades nos lançamentos nacionais estão girando em torno dos novos motores 1.0 com 3 cilindros e turbo. A polêmica é se carros médios merecem este motor, afinal eles são sinônimos de potência e luxo.

Nossa atual cultura é associar o motor 1.0 aos carros populares: pequena cilindrada e baixo valor. Mas a tendência atual é mudar este tipo de pensamento: downsize (redução da cilindrada do motor) é sinônimo de alta tecnologia, com boa potência e redução de consumo de combustível.

Os carros médios – alguns considerados de luxo no Brasil – permanecem com valores altos devido à alta tecnologia embarcada nestes motores e por manterem o bom nível de acabamento que a categoria merece. Não é porque um Golf recebeu motor menor que ele tem que custar o mesmo que um Gol, afinal são de categorias diferentes e portanto um tem mais refinamento – e consequente maior custo – que o outro.

A Volkswagem anunciou a versão de entrada do Golf 1.0 TSI por R$ 74.000,00!

Crédito da foto: iG

No VW são 125cv e ótimos 20,4 kgfm de torque! Crédito da foto: iG

Bem próximo do Ford Fiesta 1.0 EcoBoost por R$ 71.000,00.

Crédito da foto: Carplace

No Ford também são 125cv, mas com 15,8 kgfm. Crédito da foto: Carplace

A Fiat também anunciou que a linha Uno ficará mais tecnológica (mas não mais cara: a partir de R$ 42.000,00) com o tão aguardado 3 cilindros FireFly.

Crédito da foto: BestCars

O Fiat tem o maior torque de um 3 cilindros aspirado do Brasil: 10,9 kgfm, em 77cv. Crédito da foto: BestCars

A grande questão é se tudo isso reduz a vida útil do motor, ou se aumenta o custo de manutenção. Até o momento não tem nada que prove que os motores serão menos duráveis. Os testes de longa duração realizados por revistas especializadas e pelas próprias montadoras garantem a durabilidade excelente ao menos até os 60.000km. Depois disso só o tempo dirá. É pagar para ver.

Uma premiação anual para os melhores motores do mundo em suas respectivas categorias, mostra como vencedores muitos tricilíndricos. Até mesmo os supercarros já aderiram ao downsize:

Nova Ferrari GT4LussoT recebeu um motor 8 cilindros Turbo como opção ao já existente V12 aspirado.

Crédito da foto: CarMagazine

Até mesmo a Ferrari reduziu em 4 cilindros o motorzão da antiga FF! Crédito da foto: CarMagazine

O novo Porsche 718 Cayman com motor boxer 4 cilindros Turbo, substituindo o 6 cilindros tradicional.

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Quase uma volta às origens com o clássico 4 cilindros boxer! Crédito da foto: AutoMonitor

Claro que tudo tem seu lado positivo e negativo. A grande vantagem realmente é a economia de combustível, pois possui menos atrito com um pistão a menos e reduzida quantidade de partes móveis. Mas a desvantagem é um maior nível de ruído e trepidação, em função do número ímpar de cilindros, exigindo mais isolamento acústico do projeto do veículo. Para adicionar potência o trabalho de engenharia é redobrado: melhor aproveitamento da câmera de combustão, saída de gases, acionamento do turbo, entre outras tecnologias empregadas para máximo rendimento.

A questão é cultural, e o brasileiro que já compra carro por metro quadrado também deve comprar por centímetro cúbico dos cilindros.

Crédito da foto: Carplace

A mais alta tecnologia para render ao máximo os 3 cilindros. Crédito da foto: Carplace

Temos bons exemplos como o Smart ForTwo – que saiu do mercado nacional-  e o atual Up! serem discriminados perto de ultrapassados Hyundai Veloster e Fiat Palio Aventure, para citar alguns. Questão de gosto, talvez, mas não é apenas o tamanho do carro ou da cilindrada que justifica o preço: tem toda tecnologia de projeto, segurança, acabamento, conforto e resistência mecânica incluída.

Vamos aguardar e ver como ficam no mercado estas novas opções de carros luxuosos com motores pequenos e tecnológicos. Pois o 1.0 não é mais exclusividade de carro popular, isso é fato.

Texto: Marco Escada

Foto de capa: CarBlog

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