Felizmente a tecnologia evolui também na segurança de nossos carros e hoje em dia podemos dizer que todos os lançamentos de carros vendidos no Brasil possuem bom nível de segurança em relação à duas décadas atrás. Exceções aos carros com projetos ainda antigos, mas que possuem seus dias contados para sair de produção. Claro que temos à venda os carros usados, de todas as décadas, e o comprador precisa estar ciente de que alguns são carros mais perigosos, portanto dirigir com mais cuidado esses automóveis.

Algumas pessoas podem questionar a segurança dos veículos antigos, dizendo serem mais fortes, alegando alguns itens como: lataria mais grossa, para-choques robustos, chassis rígidos, altura ou comprimento de suas imponentes frentes. Contudo esses mesmos itens “catapultam” ou “ejetam” o motorista para fora do carro, que tinha apenas cintos de segurança abdominais. Os carros atuais possuem absorção de impacto e deformação programada, destruindo partes iniciais do carro para que o motorista fique o mais estável possível no banco, com cintos de segurança transversais de 3 pontos e diversos airbags. Inúmeros estudos de física e testes de impacto foram realizados ao redor do mundo, e a conclusão você pode ver abaixo.

Um choque entre um carro moderno e um antigo prova quem é o mais seguro. Crédito da imagem: Motor1

Para que se tenha uma ideia da diferença no nível de segurança entre um carro do passado e outro do presente, o IIHS (Instituto Americano de Segurança Viária, mantido por seguradoras), promoveu há alguns anos um crash test que chocou o mundo: bateu frontalmente um Chevrolet Bel Air 1959 com um Chevrolet Malibu 2009. Eram 50 anos que separavam a tecnologia construtiva de um carro para outro. Para aqueles que erroneamente pensavam que o Bel Air, com suas grossas e pesadas longarinas de aço e lataria de espessura avantajada, destruiriam o aparentemente delicado Malibu, um grande engano. O Malibu, com seus aparentemente frágeis para-choques plásticos e finas chapas estampadas da carroceria, escondia na realidade uma estrutura repleta de reforços e feita de aços especiais, fruto de vários anos de estudos, para impedir que a força do impacto chegasse ao habitáculo dos passageiros. Ficamos chocados com a destruição que o sedã novo promoveu sobre o antigo. As imagens dizem tudo e dispensam comentários. (texto extraído de MotorShow)

Antigamente a indústria automobilística não pensava em grandes acidentes de carros, apenas pequenas colisões em que o para-choque seria o suficiente. Porém o número de vítimas fatais aumentou de maneira tão exponencial, que a indústria passou a se preocupar seriamente. A quantidade de carros nas ruas aumentou muito, os carros foram ficando mais velozes, as estradas melhores, e os motoristas menos atentos.

A simplicidade construtiva era péssima quando pensávamos no fator segurança, afinal em caso de choque as peças parafusadas eram simplesmente arrancadas e não formavam uma estrutura rígida que suportasse o impacto. Os técnicos da Volvo começaram a desenvolver estudos com testes de impactos a barreiras fixas e foram desenvolvendo tecnologias que começaram por fazer um carro mais seguro. Os estudos iniciados pelos suecos foram seguidos por toda indústria automobilística mundial.  Abandonou-se o chassi com suas pesadas longarinas, onde se apoiavam a mecânica, e passou-se a adotar estruturas monobloco, onde chapas de aço estampadas eram soldadas formando uma estrutura de carroceria única. Essa solução tornou o carro mais leve, a carroceria mais resistente a torção e a impactos.

Mas os crash tests mostravam que os carros ainda tinham muito a evoluir e passaram a utilizar a computação para avaliar a deformação e absorção de impactos. Hoje a segurança nos mercados europeu e norte-americano a segurança passou a ser um fator de decisão de compra. No Brasil ainda está se formando esta cultura.

Hoje quem realiza o padrão de teste de impacto é o Latin NCAP, organização que avalia a segurança dos veículos vendidos na América Latina. Os critérios do Latin NCAP tornaram-se mais rígidos em 2016, integrando quatro testes: impacto frontal a 64 km/h, colisão lateral a 50 km/h, colisão lateral contra poste a 29 km/h e avaliação do controle de estabilidade.

Chevrolet Onix que recebeu nota Zero quando as regras se tornaram mais rígidas pelo Latin NCap. Mas a GM melhorou a estrutura do carro e hoje ele recebe 3 estrelas para adulto. Crédito da imagem: Exame.

Veja os carros mais populares à venda no Brasil e suas notas nos testes do Latin NCap:

Chevrolegt Onix / Prisma (teste realizado em 2018) Após ter zerado o teste em 2017, a GM fez reforços estruturais para um novo teste em 2018:
3 estrelas adulto
3 estrelas criança

Hyundai HB20 (teste realizado em 2013) é possível que tenha recebido melhorias, pois o teste foi feito em 2013, época de seu lançamento:
3 estrelas adulto
3 estrelas criança

Ford Ka (teste realizado em 2017) 4 estrelas em 2015, não repetiu o sucesso com as novas exigências do Latin NCap em 2017:
0 estrela adulto
3 estrelas criança

Volkswagem Gol (teste realizado em 2010) teste realizado só em 2010, da plataforma concebida no início do ano 2000:
3 estrelas adulto
2 estrelas criança

Renault Sandero (teste realizado em 2018) sob a mesma plataforma originalmente da romena Dacia de 2012, foram feitas apenas alterações estéticas:
1 estrela adulto
3 estrelas criança

Até mesmo o Kwid, que utiliza materiais baratos em sua fabricação, conseguiu 3 estrelas e é bastante seguro. Crédito da imagem: QuatroRodas

Renault Kwid (teste realizado em 2017) teste realizado antes de seu lançamento:
3 estrelas adulto
3 estrelas criança

Fiat Novo Uno (teste realizado em 2011) na época não era obrigatório airbag, portanto a nota fica mais baixa:
1 estrela adulto
2 estrelas criança

Toyota Corolla (teste realizado em 2017) plataforma mundial, é um dos mais seguros do país:
5 estrelas adulto
5 estrelas criança

Fiat Mobi (teste realizado em 2017) possui a plataforma encurtada do novo Uno com proposta de substituir o ultrapassado Mille:
1 estrela adulto
2 estrelas criança

Jeep Compass (ainda sem teste oficial) não possui teste próprio, mas com base nos irmãos de plataforma Renegade e Fiat Toro, certamente possuiria ótimas notas:

Jeep Renegade (teste realizado em 2015)

5 estrelas adulto
5 estrelas criança

Fiat Toro (teste realizado em 2018)
4 estrelas adulto
4 estrelas criança

Honda HR-V (teste realizado em 2015) a Honda atualiza constantemente a segurança de seus modelos, mesmo os que possuem a plataforma do Fit, como o City e WR-V: 
5 estrelas adulto
5 estrelas criança

Volkswagen Up! (teste realizado em 2014) Na época de seu lançamento conseguiu nota máxima, mas precisa passar pelas novas regras da Latin NCap:
5 estrelas adulto
5 estrelas criança

Volkswagen Polo / Virtus (teste realizado em 2018) Lançamentos mundiais, possuem o que há de melhor no projeto estrutural: 
5 estrelas adulto
5 estrelas criança

Ford Ecosport (teste realizado em 2013) A nova plataforma do modelo melhorou muito, mas o modelo nacional tem muitas diferenças em relação ao europeu: 
5 estrelas adulto
3 estrelas criança

Ford Fiesta (teste realizado em 2012) A exemplo do Ecosport, o Fiesta está muito bem em sua atual plataforma, mas deve receber melhorias de acabamentos:
4 estrelas adulto
4 estrelas criança

Toyota Etios (teste realizado em 2012) Apesar do teste ser antigo, deverá repetir as boas notas em novo teste, pois a Toyota mantém a segurança e mecânica padrão em seus modelos: 
4 estrelas adulto
2 estrelas criança

Toyota Hilux / SW4 (teste realizado em 2017) Apesar de ser reprovado no teste de estabilidade, para o Latin NCap resistiu bem às colisões frontais e laterais, que assim como a RAV4, possui com 3 AirBags:
5 estrelas adulto
5 estrelas criança

Volkswagen Jetta (teste realizado em 2017) A Volkswagem está com suas plataformas atuais muito seguras:
5 estrelas adulto
4 estrelas criança

Volkswagen Golf (teste realizado em 2017) Com 7 airbags possuem o máximo em segurança na categoria:
5 estrelas adulto
5 estrelas criança

Nissan March (teste realizado em 2011) Modelo de primeira geração no Brasil:
2 estrelas adulto
1 estrela criança

Ford Focus (teste realizado em 2011) Modelo hatch, pode mudar para as demais versões e atualizações:
4 estrelas adulto
3 estrelas criança

Chevrolet Cruze (teste realizado em 2011) Sedã robusto da GM no Brasil:
4 estrelas adulto
3 estrelas criança

Hyundai Creta (teste realizado em 2015) Modelo europeu, não exatamente igual ao do Brasil:
4 estrelas adulto
2 estrelas criança

Renault Duster (teste realizado em 2015) Ainda com as regras menos rígidas, e apesar de considerarem o habitáculo instável, se saiu melhor que seu irmão Sandero:
4 estrelas adulto
2 estrelas criança

Renault Captur (teste realizado em 2017) Mesmo com regras mais rigorosas se saiu melhor que os demais da fabricante francesa:
4 estrelas adulto
3 estrelas criança

Fiat Argo e Cronos (ainda não possuem testes oficiais) A Fiat promete que estes modelos conseguirão no mínimo 3 estrelas. Vamos aguardar.

Jac J3 (teste realizado em 2011) Um dos chineses mais vendidos do Brasil, já fora de linha, mas apenas para referência:
1 estrela adulto
2 estrelas criança

Alguns importados possuem nível acima da média, já outros decepcionam:

Alguns carros deveriam ser proibidos de ser vendidos, pois teria menos do que Zero estrela – um caso atípico, fatal em velocidade média. Caso do Lifan 320, Chinês produzido na América Latina. Crédito da imagem: Motoringfile

Sim, é verdade que carros não foram feitos para bater, porém acidentes podem acontecer, e é melhor que estejamos protegidos. E com seguro que cubra os custos, mas isso é assunto para outra conversa.

Texto: Marco Escada

Foto de capa: Motorshow

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