Para realizar boas fotografias basta a pessoa ter sensibilidade e um pouco de conhecimento técnico. Isso vale para câmeras analógicas, digitais, celulares e até mesmo equipamentos profissionais. O olhar do fotógrafo é o mais importante. Mas um boa lente ajuda. E a maioria já está com abertura f/1.8! (sim, de onde vem nosso nome do portal!)

Aos apaixonados por fotografia, mas que não querem comprar uma câmera grande e pesada, alguns celulares estão dando conta de tirar fotos como câmeras “semi-profissionais”: o imponente Motorola Hasselblad TrueZoom (10x óptico); o campeão LG G5 (com excelentes 3 câmeras no mesmo aparelho); o inovador ASUS Zenfone Zoom (3x óptico exclusivo Hoya); e o saudosista Kodak Ektra (este último ainda não disponível no Brasil).

A Motorola inovou e lançou em seus aparelhos top de linha os snaps: são gadgeds que acoplam na traseira do celular e os transforma em projetor de alta definição, ou em alto falantes JBL, ou ainda, em uma câmera com a marca mais respeitada pelos fotógrafos no mundo: Hasselblad. (sim, a Ferrari das câmeras fotográficas, a empresa que produz as melhores câmeras profissionais em todos os tempos). Já é perceptível ao tato, no acabamento e empunhadura, que facilita na hora de não tremer as mãos e segurar firmemente o aparelho. Aliás, um luxo extra: vem com uma capa protetora para guardar quando quiser usar apenas o celular, sem o snap.

Crédito da imagem: meiobit.com

Esta câmera com lente Hasselblad de zoom óptico real de 10x transforma a câmera de celular com zoom digital em algo arcaico. A aproximação dela é através de lentes que se projetam e realmente buscam a imagem com uma espécie de luneta. Só assim é possível captar aproximação com riqueza em detalhes. Até porque utiliza lentes próprias, de altíssima qualidade, e fazem toda diferença em qualidade de imagens. Apesar de sua abertura ser menor, de f/3.5 sem zoom até f/6.5 no zoom máximo, mas que continua proporcionando boa iluminação e distâncias focais lindas. (Para entender melhor, assine nosso canal e fique por dentro de nossa Oficina f1ponto8s!) Esta é a grande vantagem deste snap fotográfico da Motorola: seu conjunto de lentes projetáveis.

Crédito da imagem: meiobit.com

Além disso, o segundo grande diferencial da Hasselblad TrueZoom é a possibilidade de fotografar no modo de arquivo RAW. Talvez seja o único celular a fotografar com esta extensão de arquivo. Isso diz mais respeito aos fotógrafos profissionais ou entusiastas avançados, já que é preciso um pós-tratamento das imagens em um software específico (a própria Hasselblad disponibiliza gratuitamente para o celular). A vantagem é poder manipular a imagem, regular suas cores, brilhos, sombras e detalhes com o arquivo “cru” da imagem, mantendo toda sua qualidade original com as melhorias feitas “à mão” via software. Ao contrário do tradicional JPG, em que a própria câmera ajusta e converte o arquivo, deixando pronto automaticamente, mas perdendo qualidade a cada manipulação ou filtro posterior. Para olhos exigentes, o RAW é um tipo de arquivo fundamental. (Para mais detalhes, lembre-se de nossa Oficina f1ponto8s!)

Crédito da imagem: PCmag

Claro que uma empresa com o pedigree mais bem conceituado que possa existir em fotografia tem que fazer bonito. Seu botão de disparo possui dois tempos, ou seja, meia pressão para focar e o restante da pressão no botão para fotografar (com isso é possível travar o foco em um objeto e mudar de posição para buscar um bom enquadramento, por exemplo). Possui exclusivo flash em Xenon, melhor e mais potente que os tradicionais LEDs dos demais aparelhos. Mas a qualidade de imagem não é o suficiente para se aproximar de algo profissional: ela continua sendo uma câmera de celular, com sensor limitado em tamanho e não pode fazer mágica. A qualidade é ótima, sem dúvida.

Não podemos comparar uma foto feita em RAW com uma processada em JPG: pois o RAW não terá automaticamente os ganhos de cor e contrastes de uma JPG, afinal o próprio fotógrafo fará isso posteriormente de forma totalmente personalizada. Mas, se preferir, a Hasselblad também faz fotos em JPG tradicional.

Mas mesmo assim as fotos não superam muito a própria câmera dos Moto Z (que tem abertura de lente maior: f/1.8) e até mesmo do Moto X Style, já que a Lenovo trouxe tecnologia de ponta aos Moto! Ou as dos celulares tops de linha do momento (clique nos links nas palavras para mais detalhes):

LG G5 e G4 são campeões em qualidade de imagem! Crédito da imagem: androidcentral

As melhores câmeras em celulares do mercado (segundo avaliações de especialistas) são dos LG G4 e G5 – e fazem fotos em RAW! (Até mesmo os antigos G2 e G3 são ótimos, com lentes de cristal safira) Quase sempre saem como vencedores em testes comparativos no mundo inteiro por das suas câmeras e recursos fotográficos; A última geração do G5 vem com 3 câmeras: 2 traseiras e uma frontal! As traseiras são para ter opção entre uma grande-angular de 135º f/2.4 ou a potente 16 megapixels f/1.8. Praticamente um jogo de lentes DSLR! Brincadeirinha… 🙂

Lente dupla traseira do LG G5, com foco laser e duplo flash LED. Crédito da imagem: andro4all

os consagrados Samsung Galaxy S6 e S7 (assim como Galaxy Note 5 e derivados);

os tecnológicos Sony Xperia Z3+ e Z5 (que disponibilizam sensores para vários outros fabricantes);

os cobiçados iPhone 6 e 7 (que apesar de serem excelentes, correm por fora por serem iOS e não Android);

Microsoft Lumia 535, 730 (também correm por fora por usarem WindowsPhone, e podem colocar na briga os antigos Nokia Lumia 930 e 1020, com seus desnecessários 41 megapixels);

ainda teriam os importados One Plus 3 e o HTC 10, com suas exclentes câmeras!);

E até mesmo os recentes melhores custo benefício em questão de qualidade de câmera e preço praticado no mercado que são os ASUS Zenfone 2 Laser, e o lançamento Zenfone 3 (este último com processador Intel). A ASUS investiu forte nas suas câmeras, com ajustes manuais ótimos!

Crédito da imagem: tech.firstpost

O único concorrente de verdade atualmente por ter zoom óptico (já que o Samsung KZoom nos deixou em 2015) é o ASUS Zenfone Zoom: ele vem com a tecnologia de zoom óptico mais fino do mundo: as 3x de zoom das 10 lentes internas fabricadas pela Hoya – griffe no mercado internacional de lentes – que trocam dentro do próprio aparelho sem precisar projetar para fora. É uma tecnologia exclusiva desenvolvida em parceria pela ASUS, Hoya e Panasonic (que desenvolveu o sensor especial para as lentes físicas deste aparelho, além de eles terem parceria também com a conceituadíssima fábrica de câmeras Leica). Como o Zenfone Zoom vem com excelente estabilização de imagem, realmente aproximam as imagens opticamente com riqueza em detalhes!

Crédito da imagem: Divulgação Hoya

A outra câmera, ou melhor, celular, que poderá competir, será a Kodak Ektra. Porém apenas na Europa, por enquanto… Vamos aguardar que ela venha para o Brasil! Ela possui uma boa câmera principal com sensor da Sony de 21 megapixels e lente com abertura f/2.0, com sistema de foco por detecção de fase. Esta câmera também grava vídeos em resolução 4K e possui um dial virtual semelhante ao usado nas câmeras profissionais, com modo manual. Mas ainda não é possível escolher manualmente a abertura do diafragma, por exemplo. Apenas o ISO e tempo de exposição. Possui um botão próprio para disparo com dois tempos – como da Hasselblad descrita acima – e um grande número de modos de cena (incluindo panorama, macro, bokeh e HDR); a lente tem distância focal equivalente a 26.5mm com revestimento antirreflexo; estabilização óptica de 6 eixos; câmera frontal de 13 megapixels. Mas nada de zoom óptico, ao menos neste modelo.

Crédito da imagem: Divulgação Kodak

Os avanços são incríveis se lembrarmos dos primeiros modelos de celulares com câmeras VGA de 0.1 megapixel ( ! ) e nada de recursos. Com a concorrência acirrada e tecnologias compartilhadas, nossas fotos do dia-a-dia ficam cada vez com mais qualidade de definição. Mas o olhar continua sendo humano, portanto, vamos estudar fotografia! 😉

Esta matéria não tem patrocínio, apenas queremos mostrar os diferencias destes aparelhos.

#f1ponto8s

Texto: professor de fotografia Marco Escada

Imagem de capa: revu.com