Versailles, Royale, Verona, Apollo, Logus, Pointer, entre outros Ford com motor AP e Volkswagem com motor CHT… Assim foram algumas das marcas deixadas pela Autolatina. E ela deve voltar de verdade, desta vez não é piada – mas também não há certeza de que teremos carros “misturados” nos dias de hoje.

Ford Versailles Royale era a realização da Santana Quantum 2 portas! Crédito da foto: Quatro Rodas

Esse tipo de união é conhecida como joint-venture, que é uma associação de empresas, que pode ser definitiva ou não, com fins lucrativos, para explorar determinado negócio, sem que nenhuma delas perca sua personalidade jurídica. O mesmo aconteceu entre os anos 2000 até 2010 com a Fiat e GM, que compartilharam o Powertrain 1.8 (motor e caixa de transmissão em modelos esportivos dos Fiat Pálio ao Stilo, e dos Chevrolet Corsa ao Astra).

VW Apollo era o Ford Verona (Escort Sedã) esportivado. Crédito de Foto: ORetrovisor

Entre as décadas de 1987 e 1996, Ford e Volkswagen formavam o que seria denominado de Autolatina no Brasil e também, em Portugal, a AutoEuropa. Em 1990 estava consolidada, com 51% de suas ações controlados pela Volkswagen e 49% pela Ford. Porém as matrizes concorriam no âmbito mundial, o que dificultava o compartilhamento de tecnologias, além disso, as políticas econômicas do Brasil prejudicavam os investimentos em longo prazo.

Crédito da foto: Marco de Bari

O fim da Autolatina começou a ser realizado foi em 1994, encerrando definitivamente em 1996. Época em que o Brasil vivia um momento de abertura da economia e que a criação do Plano Real possibilitou a invasão de carros importados no mercado. Também passou a existir um incentivo do governo brasileiro aos carros populares, e assim elas deveriam ter seus próprios lançamentos. Com isso, as empresas voltaram a operar de forma separada e a concorrer pelos mesmos segmentos.

VW Pointer: sob a plataforma do Escort, uma carroceria quase fastback. Imagem divulgação.

Agora, 20 anos depois, as duas montadoras voltaram a se relacionar com uma nova parceria.

 

Crédito da imagem: CarroCultura

Desta vez é possível que tenhamos apenas veículos comerciais, e não mais os sedãs, hatches e muito menos wagons que marcaram uma geração. A ideia é reduzir custos de produção e também acelerar a criação de carros novos voltados ao público frotista empresarial.

O acordo foi firmado suas sedes na Alemanha e nos Estados Unidos, respectivamente, com a assinatura de um Memorando de Entendimentos para a formação de uma aliança estratégica global entre as duas empresas. A potencial aliança não envolverá acordos acionários. Mas o comunicado diz que as empresas estão explorando conjuntamente projetos potencias em diversas áreas.

O diretor do Grupo de Estratégia da Volkswagen, Dr. Thomas Sedran, declara que a parceria é fundamental para a estratégia 2025 da marca alemã. “Os mercados e a demanda dos clientes estão mudando a uma velocidade incrível. Ambas empresas já possuem posições fortes e complementares em diferentes segmentos de veículos comerciais. Para nos adaptarmos a este ambiente desafiador, é de extrema importância ganhar flexibilidade por meio de alianças”.

o presidente de Mercados Globais da Ford, Jim Farley, diz que “A Ford está comprometida em melhorar a sua condição como negócio e utilizar modelos de negócios adaptativos, o que inclui trabalhar com parceiros para melhorar a nossa efetividade e eficiência”.

Com a nova estratégia, é possível que as próximas gerações de Volkswagen Crafter e Ford Transit compartilhem plataforma e diversos componentes mecânicos ou, até mesmo, sejam versões rebatizadas para cada marca, tal como FCA e PSA fazem com Fiat Ducato, RAM ProMaster, Citroën Jumper e Peugeot Boxer, por exemplo.

Mas que seria divertido ver um Ka TSi e um Polo PowerShift, isso seria!

Compartilhe com seus amigos que curtem os carros daquela época em que Ford DelRey, Belina e Pampa usavam o AP 1.8; ou aqueles que tinham o VW Logus 1.6 CHT, baseado na plataforma do Escort! E tantos outros casos desta união marcante na história!

 

Texto: Marco Escada

Foto de capa: Christian Castanho

 

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