A compra da Opel pelo Grupo Peugeot-Citroën-DS (PSA) na europa foi o assunto mais comentado no mundo automotivo nas últimas semanas.

E isso pode ter reflexos no Brasil, pois os franceses já pensam em trazer alguns modelos como novos Astra e Zafira (gerações atuais) para nossas terras.

A Opel era o braço da GM na europa desde 1929, criando vários clássicos que foram importados para o Brasil com emblema Chevrolet (como o Calibra, por exemplo). Agora a francesa PSA passa a ser a segunda maior força automotiva no velho mundo, atrás apenas da alemã Volkswagen. E a americana General Motors concentrará forças nos EUA, exportando para o mundo todo, claro.

Mas já existem diversas uniões de fabricantes automotivas, que somam forças para dividir as plataformas entre seus carros e desenvolverem produtos de alta qualidade e preço reduzido pelo compartilhamento de peças.

 

PSA

Começando pela própria PSA, que une as fabricantes Peugeot, Citroën e os esportivados DS, que agora se unem à Opel. Criam motores que são premiados pela qualidade que apresentam.

Peugeot Citroën adicionam a Opel ao portfólio! Crédito da imagem: Carmag.co.za

A Peugeot mereceria um capítulo à parte, devido à sua história mesmo antes de fabricar automóveis. Até hoje é uma das referências em produtos que unem acabamento, design e tecnologia.

A Citroën também possui uma história rica, desde os carros mais populares no início do século até a luxuosidade de alguns modelos atuais.

A DS é uma divisão com carros mais conceituais, que rivalizam com os MiniCooper, Fiat 500 e Audi A1. São modelos com pegada esportiva, jovem e se destacam na multidão.

E a antiga alemã Opel dispensa apresentações: conhecida como GM européia, o resto do mundo mudava o logotipo na grade dos carros e eram tradicionais Chevrolet. A decisão da GM em vender sua fábrica alemã aos franceses deve ter sido bem difícil…

A Chevrolet-Opel teve parceria com a Suzuki por algum tempo, tanto que nosso falecido Celta do Brasil (sob a plataforma Corsa original) era conhecido como Suzuki Fun na Argentina. Assim como nossa antiga Tracker também existia sob o nome de Suzuki Vitara nos anos 90. Após desfazerem a parceria todos mercados adotaram o nome dos Chevrolet em seus países, e a Suzuki remodelou seus modelos passando para outros populares como Swift e camionetes como Grand Vitara.

A PSA também possui alguns projetos em conjunto com a Mitsubishi (como a camionete ASX, que possui uma versão Citroën C-Crosser) e com a BMW (blocos dos motores desenvolvidos em conjunto 1.4 e 1.6 do MiniCooper, após a BMW ter feito os 1.4 Diesel em parceria com a Toyota).

 

FCA: FIAT – Chrysler

Um lista enorme de produtos Fiat. Crédito da imagem: techtimes.com

Outro grande exemplo recente que temos foi compra da Chrysler pela Fiat, salvando a montadora americana da falência. Os italianos incorporaram seus produtos Dodge e Jeep ao catálogo – como caso da Dodge Journey que teve logotipo trocado pelo da Fiat e o nome virou Freemont – e hoje em dia compartilham as plataformas – no caso da Jeep Cherokee que divide muita coisa com a Fiat Toro. Assim como produtos novos, como a Jeep Renagade, que tem motores Fiat como opção.

A Chrysler tem produtos com personalidade muito forte, com divisões de carros luxuosos como os C300, esportivos Viper e camionetes enormes como a RAM. Vamos ver o que os italianos preparam para estes autênticos ícones da cultura automotiva americana.

Já a Fiat é famosa por suas diversas marcas, como Ferrari, Maserati, Lancia e Alfa Romeo. O Brasil continua sendo seu mercado onde tem o maior volume de vendas no mundo (não é à toa que teve brasileiros na Scuderia Ferrari por décadas, para manter a simpatia entre os países). Possui o histórico carro popular europeu Cinquecento e é referência em esportividade com suas marcas superesportivas.

A chegada da Jeep no Brasil com o Renagade se mostra bem melhor que a da Fiat, quando estreou com um produto inovador, mas controverso: 147, que depois virou Spazio. Suas inovações por copiadas por todas as montadoras no país, mas a durabilidade dos carrinhos comprometeram a imagem da montadora por aqui. Anos mais tarde foi feita uma intensa campanha publicitária: “Está na hora de você rever os seus conceitos”. A partir daí bons carros foram lançados e hoje ela está mais forte do que nunca.

Crédito da imagem: autoesporte

E existe uma parceria forte com a Mitsubishi também, como prova a pickup L200 que teve seu logotipo trocado para o da Fiat e virou Fullback Cross – só na europa…

 

Renault-Nissan e Daimler

Frente tem design em conjunto. Crédito da imagem: motoringresearch.com

A parceria Renault e Nissan é mundial, mas pode ser vista no Brasil com o compartilhamento, até bem pouco tempo atrás, dos motores nos nossos populares Clio e March 1.0. Atualmente receberam novos motores, mas o compartilhamento das fábricas permanece. Inclusive a tecnologia das pistas é comprtilhada para desenvolvimento de novas tecnologias às ruas.

Sinaleira inovadora. Crédito da imagem: motoringresearch.com

Com a Daimler (leia-se Mercedes) por enquanto eles possuem poucos projetos: fabricação conjunta de carros elétricos na Europa, como os subcompactos Smart e Twingo (que compartilham a mesma plataforma comum desenvolvida pelos grupos Daimler e Renault-Nissan);

A primeira picape Mercedes-Benz (que dividirá parte de sua arquitetura com a nova Frontier), que também dá origem à Renault Alaskan – esta já em produção no México;

e em Paris, a Mercedes apresentou seu primeiro protótipo de SUV elétrico e a submarca EQ que dará origem a uma família de automóveis eletrificados, que tem um projeto ousado como o do subcompacto elétrico Reanult ZOE.

 

 

Ford e seus parceiros

Derrick Kuzak, Vice-Presidente da Ford Motor Company, desenvolvedor de produtos globais com Takeshi Uchiyamada, Executivo e Vice-Presidente da Toyota Motor Corporation. Crédito da imagem: blog.tnh1 (AP Photo/Paul Sancya)

Um grande conglomerado, por assim dizer, se dá entre Ford, Volvo, Land Rover, Jaguar, Mazda e Yamaha. Estes grandes nomes da indústria automotiva criam juntos algumas tecnologias utilizadas em seus motores.

Na europa os motores como 2.0 e 2.2 podem ser encontrados em todas estas marcas de carros. Alguns dos 1.6 do EcoBoost também aparecem nos Volvo suecos. A Ford também fornece os V8 para Aston Martin, Jaguar e Land Rover. O motor Duratorq é aproveitado em diversos modelos, com suas respectivas adaptações para cada fabricante.

A Ford – sempre a Ford com seus inúmeros parceirosestá desenvolvendo um software com a mais alta tecnologia para os painéis dos carros em conjunto com a Toyota.

 

Volkswagen

VW e suas outras marcas, como Porsche e Lamborghini. Crédito imagem: vwvortex.com

Alguém falou em Autolatina? Pois é, faz tempo, mas a Joint-Venture foi marcante para a indústria automobilística nacional, com carros que temos carinho até hoje: Escort/Logus/Pointer, Santana/Versailles, Quantum/Royale, Verona/Apolo… Motores VW 1.0 no Escort Hobby, por aí vai! Mas isso é assunto para outra matéria. 😉

Hoje a Volkswagen não tem grande parceria com outras montadoras, apenas suas subsdiárias como Audi, Porsche, Lamboghini, Seat, Skoda, Bentley, Bugatti e Scania. A pouco tempo a Suzuki tinha parte das ações na montadora alemã, mas foi vendida à Porsche.

Portanto motores V8 e V10 utilizados nas Lamborghinis são os mesmos utilizados nos Audi R8, por exemplo. E assim com as demais marcas e seus produtos compartilhados. Chegamos a ver uns Seat importados da Espanha rodando aqui no Brasil, que eram compartilhados com a antiga geração do Polo nos anos 90 (quando não existia Voyage na época dos Gol GII a GIV, ocupando assim a classe dos sedãs compactos da montadora no Brasil). Porém resolveram nacionalizar alguns modelos de Audi por aqui, para concorrer com a nacionalização das rivais BMW (com sua subsidiária MINI no Brasil) e Mercedes-Benz (que não nacionalizou o seu compacto Smart).

Apesar de estarem entrando num futuro acordo as montadoras BMW, Daimler, Ford e o Volkswagen Group (incluindo Audi e Porsche) para criação de modelos elétricos. O futuro nos espera!

 

Hyundai – KIA

Kia é um Hyundai, mesmo que disfarce um pouco. Crédito da imagem: noticiasautomotivas

O Grupo Hyundai Kia é a maior indústria automotiva da Coreia do Sul e o segundo maior fabricante de carros na Ásia (atrás da Toyota) A união se deu em 1998 com a compra do segundo maior produtor de carros sul-coreano, a Kia Motors.

As duas empresas continuam produzindo seus produtos separadamente, mas com diversas plataformas em comum.

Como é o caso do i20 (chamado de HB20 no Brasil, por ter sido adaptado às exigências dos consumidores brasileiros, como pequeno aumento no entre-eixos e medidas ligeiramente maiores) que usa a mesma base e motor do Kia Picanto (este último é importado e igual no mundo inteiro). A Hyundai nacionalizou aqui alguns de seus carros e tem uma gama muito maior: desde a popular linha 20 (hatch, sedã e o pedido nacional “aventureiro”) até o sofisticado Azera, passando por gerações de SUVs (único lugar no mundo a vender a antiga geração da Tucson, a geração intermediária ix35 e o atual Novo Tucson). Sem falar no mico que foi o lançamento do Veloster, já que erraram ao anunciar a potência que o carro não tinha para virar um carro motivo de piadas (bastava colocar um motor melhor que poderia ter sido um sucesso). Já a Kia segue na carona do sucesso dos sul-coreanos, desde o design inovador do Soul até o moderno Sportage (que embora seja compartilhado com os Tucsons teve diversas gerações vendidas de acordo com o lançamento).

 

É a união mostrando que várias cabeças pensando juntas chegam em resultados melhores!

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Texto: Marco Escada

Foto de Capa: Jornal Econômico